Meu desencanto do vaidoso perfeccionismo do cotidiano

Perdi muita coisa recentemente: o backup do antigo blog e um HD de 4 TB, o que me fez refletir sobre a importância de compartilhar, pois, de fato, só temos aquilo que damos aos outros.

O que eu compartilhei está aí, ao alcance de todos. Posso pedir a algum conhecido pela internet, e isso é muito bom. Mas acabei perdendo muita coisa mesmo.

No final do ano passado, eu tinha decidido que criaria um pequeno blog só para arte e desistiria do antigo, que havia caído no limbo de qualquer forma.

Acontece que não consigo me dedicar à arte integralmente. Não tenho tempo para evoluir como gostaria. Não sou bom o suficiente em nada. Quem me acompanha há mais tempo sabe bem sobre minhas frustrações do cotidiano: doenças de família, depressão, trabalho… enfim, não tenho tempo para nada. Graças a Deus, gosto de escrever, e aquele antigo blog sempre me ajudou muito nisso.

Então decidi voltar a escrever, mas antes disso cheguei a uma conclusão de vida, de alma mesmo. Eu não vou dar certo no mundo. Não vou ser algo importante, minha arte não será boa nunca, nem minha escrita, nem minha profissão (programação). Não importa o que eu faça, nunca é o suficiente.

Então, antes de voltar a escrever, tive que aceitar minhas limitações e me libertar de tudo.

E disse a mim mesmo:

— Está tudo bem, Lain. Seja você, só isso. Fique aí, vivo. Cuide da família, dos amigos, busque a felicidade nas pequenas coisas… pare de se iludir e de se limitar. Nunca vai ter tempo de evoluir na arte… ou em qualquer outra coisa, e está tudo bem. Fique em paz.

Curiosamente, isto que parece um desabafo tristonho é, na verdade, um recomeço.

Já não quero mais nada, só escrever um pouco, às vezes desenhar… me expressar. Conhecer gente que se expressa, tomar café olhando para a chuva que cai… e viver em paz.

“Encontre o que você ama e deixe que isso te mate.”

— Charles Bukowski

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